quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eleições

Depois de algum tempo sem postar me vi impelido a fazê-lo. No momento, estou lendo trabalho de aluno que vai para exame de qualificação em mestrado e cuja proposta de pesquisa aborda exatamente os blogs, mais precisamente os que tratam de política diferentemente daqueles endossados pela grande imprensa. Na medida em que leio fico acometido por certa culpa de ter abandonado este espaço justamente num período em que trilhões de coisas interessantes estão pipocando (e quando não estariam?). Como estamos em pleno segundo turno das eleições municipais, vou me deter nelas um pouco.
Morando em Porto Alegre, votarei em Maria do Rosário do PT, repetindo o voto do primeiro turno. Quando começou a campanha, cheguei a cogitar de votar na Luciana Genro (PSOL) por várias razões: dentro do PT preferiria mil vezes Miguel Rosseto à Rosário e achava que seria interessante para cidade uma experiência mais à esquerda depois da gestão conservadoramente chocha de Fogaça. Na última hora, entretanto, com o avanço de Manuela (PC do B coligado com o PPS de Antônio Britto), fui seduzido pelo voto útil.
Fiquei muito decepcionado com Manuela. Quando postulou a Câmera de Vereadores há quatro anos votei nela porque via nesta candidatura oriunda do movimento estudantil uma espécie de arejamento da política: achei que isso faria bem para aquela instituição e para a cidade. Depois de dois anos ela se lançou à Câmara Federal e repeti o voto de confiança seguindo os mesmos critérios. Agora percebo que foi um erro. Ela não arejou coisa alguma e teve o comportamento mais ortodoxo e vil da política: oportunismo exacerbado e alianças difíceis de engolir.
Conseguindo bater Manuela, Rosário dá a impressão de aflorar neste segundo turno. Sua performance antes parecia neutralizada pelas outras candidatas, em alguns níveis muito parecidas. Assistindo os dois debates até agora (TV COM e Rádio Gaúcha) ela em tudo está superior a Fogaça: apresenta segurança, domínio das informações, é propositiva e consegue, finalmente, sinalizar competência para o cargo.
Não consigo entender a votação do atual prefeito. Qualquer pessoa que circule pela cidade percebe que vários serviços estão deficitários. É uma administração sem brilho, borocoxo. Sua imagem nas propagandas e nos debates é tediosa. Tirando-se a votação mais furiosamente anti-petista (que imagino estar nos 37, 40 por cento), acho que os demais votos ainda podem ser revertidos (a última pesquisa que li o colocava com 51pontos). Antes estava reticente, mas agora vou de Rosário sem pestanejar. Espero que o eleitorado de Porto Alegre nos poupe de mais quatro anos de songamonguice.

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