Uma campanha publicitária da Net atualmente no ar é sintomática do grau de abobalhamento com que a publicidade brasileira constrói seus públicos. Em um dos filmes o “chefe” de uma família ruiva negocia com solícita atendente da operadora o pacote mais razoável para seu clã. Ela informa que há opções exatas para o tamanho de cada necessidade fazendo com que o rapaz exultante exclame para a mulher e os dois filhos enfileirados em um sofá: vai rolar. A família vibra estrondosamente fazendo barulho com uma espécie de chocalho. Do outro lado da linha, a atendente mimetiza os traços físicos do provável cliente, fazendo som ensurdecedor com o mesmo instrumento no que é acompanhada por toda a equipe de operadores.
Além do fato de eu desconhecer pessoa que tenha encontrado tremenda empatia em funcionário da Net, o filme alinha-se a tantos outros que ao retratarem consumidores de produtos e serviços os transformam em debilóides. É como se nesta sociedade não houvesse espaço para qualquer gesto de maturidade: a infantilização desponta como uma espécie de condição fundamental para o consumo. Nela não cabe a densidade do pensamento e da crítica. Esse perfil que o comercial institui torna-se mais significativo porque ali o que se vende é um serviço de televisão por assinatura. Antigamente associava-se à possibilidade de maior diversidade na oferta de canais uma maior qualificação da televisão. A realidade veio nos mostrar um aumento da estupidez. Por várias vezes já percorri os mais de 100 canais e não encontrei nada de diferente que me seduzisse. Simplesmente o mais do mesmo. Pelo menos neste sentido a publicidade é sincera ao tratar seu público alvo como idiota. O mundo é dos nets, diz o slogan. Se for esse o perfil de quem tem acesso ao consumo, então mais correto seria dizer: o mundo é dos retardados.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
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Um comentário:
ah, é verdade, 90% dos comerciais são tão debilóides que eu só não desligo a TV porque meu controle remoto tá sem pilha. Esses da NET são terríveis (tem um com uma noiva falando com um atendente - que acaba vestido de noiva - bem no seu casamento).
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