quarta-feira, 25 de junho de 2008

Adversidades políticas

Os recentes escândalos protagonizados pela política do Rio Grande do Sul merecem alguma dose de atenção. O estado sempre se orgulhou (entre tantos outros orgulhos desmedidos) de ter uma classe política avessa a corrupções e de conduta retilínea. Isso, além de ser uma impossibilidade conceitual, jamais de fato existiu. Porque os escândalos sempre pontuaram a nossa política, basta lembrar as cestinhas de natal na Câmera de Vereadores de São Leopoldo que eu mesmo denunciei em 1984. Daquela vez houve processo judicial e os 21 ocupantes do legislativo municipal foram condenados e impedidos de se candidatarem na eleição seguinte.
O episódio em tela mostra-se repleto de nuances interessantes. Há um emaranhado de intrigas palacianas e palacianinhas que coloca em cheque o teor das alianças costuradas não só no furor da eleição, mas também para sustentar a governabilidade da coligação eleita. No caso de Yeda e Feijó insurgiu uma estranha rusga de saída, parecendo que governadora e vice emergissem de chapas distintas. A fora isso, a governadora prima pela arrogância, aspecto que a afasta de políticos, digamos, mais alinhados com o “bem” abrindo avenidas para se cercar da banda podre perita em maracutaias. Também chama a atenção deputados do PT se associarem a Feijó, do Democratas, antigo PFL, inimigos mortais em tantas outras pelejas.
Assim que estourou a operação Rodin e a CPI, não levei muita fé que toda esta encrenca ascendesse a conseqüências políticas mais sérias. Pelo visto, estava completamente enganado. Um político experiente do PMDB, que já surfou pelo PSDB, me garantiu que a governadora não atravessa o ano no cargo. Talvez seja exagero, mas devido ao inevitável isolamento que seu governo passa a mergulhar por sucessivas crises políticas a pouco mais de um ano de mandato, não surpreenderá que um fora Yeda comece a ganhar corpo.

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