Nunca confiei no Tribunal de Contas. Mesmo sem dados concretos, mas com indícios dispersos, tinha a sensação de que o órgão encarregado de proteger o dinheiro público oportunizara com que alguns dos seus membros se esbaldassem nele. Emanava desta instituição energia pesada, intoxicante. Agora finalmente o TCE vai para o olho do furacão das maracutaias gaúchas que nos surpreendem a todo o instante, desde que foi deflagrada a Operação Rodin, com a ampliação da rede de coluios. Infelizmente o que era sensação se converte em indisfarçável evidência.
A farra de escândalos chegou a visitar o gabinete do governo do Estado. Entretanto, o conteúdo da fita que o vice-governador gravou da conversa que teve com o ex-chefe da Casa Civil parece esvaziado por estratégias editoriais não muito dispostas a investigá-las. Enquanto isso, o comando da Brigada Militar não economiza em truculência para deter a manifestação de movimentos sociais em uma rede de supermercados globalizada. Ou seja, um estado sob suspeita manda bater, sem dó nem piedade, nos movimentos que não se conformam com a atual ordem das coisas, ordem esta defendida pelos setores que assumiram o estado.
O que poderia ser uma nota diferente no noticiário reforça hipocrisia perversa. Em Belo Horizonte, um rapaz quis surpreender garota com buquê de flores, anel e um pedido de namoro em uma escola. Foi impedido por seguranças. Não conformado, tentou pular o muro. Vizinhos impregnados com a paranóia da segurança e da vigilância (o panóptico de Focault) resolvem denunciá-lo e ele acaba preso por querer fazer uma declaração de amor. O escritor Roberto Freire, que faleceu recentemente, falava, em Cléo e Daniel, do poder corrosivo de um simples beijo. Em Dialética da Solidão, Octávio Paz detecta a incapacidade burguesa de vivenciar o amor na sua radicalidade. Quando a Globo não tem coragem de colocar no ar um beijo gay e gente é presa por tentar entregar flores à namorada, não deveria causar espanto que movimentos sociais derrubassem gandulas para propor um mundo diferente.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
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Um comentário:
ficou binito. :)
já arrumei o link.
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